Tecnologia sem supervisão humana pode gerar prejuízos milionários, diz especialista

Por: Sarah Ramires Cortez A inteligência artificial tem transformado processos, aumentado a produtividade e impulsionado negócios em diversos setores. No entanto, por trás do entusiasmo em torno da tecnologia, especialistas alertam que os maiores desafios para sua adoção eficiente não estão necessariamente na capacidade dos sistemas, mas na forma como eles são implementados dentro das […]

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Por: Sarah Ramires Cortez

A inteligência artificial tem transformado processos, aumentado a produtividade e impulsionado negócios em diversos setores. No entanto, por trás do entusiasmo em torno da tecnologia, especialistas alertam que os maiores desafios para sua adoção eficiente não estão necessariamente na capacidade dos sistemas, mas na forma como eles são implementados dentro das organizações.

Com mais de 25 anos de atuação em automação predial e industrial, infraestrutura crítica e gestão de projetos complexos, Felipe Vieira Bastos acompanha de perto a evolução das tecnologias inteligentes e destaca que muitas empresas ainda subestimam fatores essenciais para o sucesso dessas soluções.

Segundo ele, um dos principais problemas está na falta de alinhamento entre a inteligência artificial e os objetivos reais do negócio.

“A inteligência artificial pode processar grandes volumes de informação, mas isso não significa que ela compreenda o contexto estratégico de uma empresa”, afirma Felipe Vieira Bastos.

De acordo com o especialista, sistemas inteligentes trabalham com probabilidades e padrões estatísticos. Isso significa que, em situações inéditas ou altamente complexas, podem produzir respostas aparentemente corretas, mas sem fundamento técnico adequado. Esse fenômeno é conhecido como alucinação da inteligência artificial e representa um dos maiores desafios para a tomada de decisões em ambientes corporativos.

Outro fator crítico está relacionado à qualidade dos dados utilizados pelos sistemas. Muitas organizações possuem informações dispersas, desatualizadas ou armazenadas em plataformas antigas que não foram desenvolvidas para interagir com tecnologias modernas.

“Uma inteligência artificial nunca será melhor do que os dados que recebe. Quando a informação de origem apresenta falhas, o resultado também será comprometido”, explica.

Felipe ressalta ainda que a integração entre soluções modernas e sistemas legados continua sendo um dos maiores obstáculos encontrados em projetos de transformação digital. Em muitos casos, o custo de adaptação supera as expectativas iniciais e pode comprometer a eficiência operacional.

Além das questões técnicas, existe uma preocupação crescente com a responsabilidade sobre decisões automatizadas. Embora a inteligência artificial seja capaz de otimizar processos e acelerar análises, ela não possui capacidade legal ou moral para assumir as consequências de seus erros.

“A tecnologia pode auxiliar decisões importantes, mas a responsabilidade final sempre deve permanecer nas mãos de profissionais qualificados”, destaca Felipe Vieira Bastos.

O especialista também chama atenção para os vieses algorítmicos. Como os sistemas aprendem a partir de dados históricos, eles podem reproduzir distorções, preconceitos ou erros existentes nas bases utilizadas para treinamento.

Para Felipe, muitas empresas acreditam que criar um protótipo funcional representa o fim do desafio, quando na realidade a etapa mais complexa começa justamente na implementação em larga escala.

“Desenvolver uma solução inteligente é relativamente rápido. Garantir que ela opere com segurança, estabilidade e confiabilidade em produção exige planejamento, infraestrutura e governança”, observa.

Reconhecido por sua atuação profissional e pela liderança de projetos que integraram tecnologias avançadas em operações de alta complexidade, Felipe Vieira Bastos defende que o futuro da inteligência artificial depende da combinação entre inovação tecnológica, gestão eficiente e supervisão humana.

“A inteligência artificial é uma ferramenta extremamente poderosa, mas seu verdadeiro valor surge quando existe alinhamento entre tecnologia, processos e pessoas”, conclui.

A avaliação do especialista reforça uma visão cada vez mais compartilhada pelo mercado: o sucesso da inteligência artificial não depende apenas de algoritmos sofisticados, mas principalmente da qualidade dos dados, da governança corporativa e da capacidade humana de interpretar, validar e direcionar as decisões estratégicas.