Agência de eventos francesa, especializada em cultura brasileira em solo europeu, conta como tem enfrentado a pandemia de Coronavírus e a expectativa para a reabertura do mercado

A Allure Production Paris se tornou uma das agências europeias em ascensão que tem se destacado na exportação de cultura e entretenimento brasileiro para o velho continente. Isso porque um de seus sócios, Fábio Araújo, é brasileiro e há 13 anos vive em Paris, na França. Com eventos nas capitais europeias, Fábio foi o produtor responsável da Turnê inteira de Gloria Groove, de destaque na imprensa europeia e sucesso de público, que passou por Lisboa, Porto e Dublin, em julho de 2019. “Foram meses de trabalho e algumas noites sem dormir para trazer uma turnê para três capitais europeias. Diferente de se contratar um artista local, a logística é imensa para deslocar uma equipe de um continente para o outro. Tudo precisa ser muito bem planejado, desde a escolha do line up, até a divulgação local“, conta Fábio, que há cerca de dois anos abriu a Allure Production Paris, com braço administrativo em Lisboa, Portugal e tem na ponta do lápis todos os custos e rendimentos de eventos como estes.

Para ele, a ligação da música brasileira com a população europeia se dá muito além das comunidades de brasileiros que moram na Europa. Nossa música é sucesso por lá. “Por morar em Paris muito tempo e circular entre Lisboa, Dublin, Mykonos, Madrid e Barcelona, eu percebi uma onda muito forte da música Pop brasileira na Europa, inclusive entre os habitantes locais, coisa que nunca havia acontecido antes. O que chegava aqui eram grandes nomes como Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Gilberto Gil, entre outros, que se destacam sempre por sua história de longos anos de carreira. Os streamings facilitaram muito o acesso das pessoas ao redor do mundo e, com a ascensão de artistas como Anitta, Pabllo Vittar e Ludmilla – que já tiveram músicas no TOP 100 dos charts da Europa, eu vi nisso um novo nicho de trabalho, que em dois anos já me trouxe tanta repercussão positiva e alegrias.”, completa.

Além da turnê de Gloria Groove, a Allure em 2018 levou a turnê de uma das maiores festas Pop brasileiras, a TRETA, pelas cidades Lisboa e Mykonos, com Aretuza Lovi e teve sold out nas duas edições. As ações feitas em 2018 e 2019 pela agência, levaram a Allure a ser homenageada no “Prêmio Embaixadores”, que aconteceu em Lisboa e homenageia marcas e pessoas que se destacam em território português no ano.

 

ROCK IN RIO LISBOA e COVID-19

O grande projeto da Allure para 2020 seria a realização de um lounge dentro do Rock in Rio Lisboa, que tinha como objetivo destacar artistas brasileiros na programação do espaço, com Djs, Shows e performances de cultura brasileira. Mas esse projeto teve que ser adiado por conta da pandemia de Covid-19, que paralisou o mundo todo. “Foi um balde de água fria. Nós já tínhamos começado a trabalhar em cima desse projeto estávamos selecionando os artistas que iriam se apresentar, mas quando o Coronavírus começou a se espalhar pela Europa, vimos tudo sendo paralisado, inclusive nosso projeto. Acredito que conseguiremos manter a ação para a próxima edição do Rock in Rio Lisboa, que deve acontecer em 2021. Porém todo o setor de eventos desse porte no mundo inteiro só pode voltar com vacina e, por isso, estamos ansiosos pelos avanços da ciência.”, conta o empresário.

 

MANTER OS PROJETOS 

O Coronavírus, inclusive, fez com que outro projeto da agência para o verão europeu ganhasse outro formato. Os outros sócio da Allure, o grego Emmanouil Bennour e a alemã Chrysi Tsompanoglou, juntamente com Fábio, estavam à frente das ações nas ilhas de Mykonos e Rhodes, na Grécia, que também levaria artistas e chefs brasileiros, para uma espécie de experiência musical e gastronômica para pequenos grupos de turistas, durante o verão grego. “Mesmo com o cancelamento do Rock in Rio Lisboa, nós ainda acreditávamos que o Coronavírus pudesse ser vencido antes do verão europeu e, assim, ter a abertura de fronteiras para os demais continentes. Mas com o avanço de casos no Brasil, o país é um dos que não pode acessar a União Europeia, até nova ordem. Nosso projeto com brasileiros teve que ser adaptado. Ainda o faremos, no final de agosto, mas algo local, entre artistas e chefs europeus. Por ser um evento menor, privativo, poderemos aplicar todas as normas anunciadas pela OMS, sem apresentar riscos aos envolvidos.“, completa Emmanouil.

Apesar dos problemas enfrentados pela pandemia, a Allure aproveitou o ano para definir as estratégias para o momento em que a vacina estiver liberada para o mundo. “Nós não paramos.Tivemos alguma dificuldade nas negociações, por conta da pandemia, mas seguimos com tudo o que pode ser feito no backstage. Claro que o financeiro de um ano que não se pode realizar um grande evento faz diferença, mas tivemos projetos rentáveis nos últimos anos que nos colocam numa posição de não precisar parar e organizar tudo para a volta.”, explica Chrysi.

Os sócios enxergam a situação, tanto econômica, quanto social, com muita cautela, mas fazem questão de não deixar de programar seus eventos. “Traríamos, ainda em 2020, um show de uma artista pop que está crescendo muito pelo Brasil e estávamos preparando algo inédito para a Parada LGBTQIA+ de Lisboa, em 2020. Mantivemos as negociações, mas já estamos passando toda a logística para o verão de 2021, assim não teremos que remarcar tudo novamente. É muito importante, nesse momento, a gente pensar na segurança de nossos artistas e público. Não há outro meio de seguir.“, finaliza Fábio.