Luquinhas: nova sensação do funk lança clipe e critica erotização da música

Luquinhas de apenas 18 anos de idade é a nova revelação do funk, cantor desde a infância, lançou no recentemente o clipe de “Tá louca garota“, música baseada em uma situação vivenciada por ele.

Dirigido pela equipe consagrada do Kondzilla, o jovem funkeiro Luquinhas fala do exagero das letras do funk que abusam de assuntos relacionados à sexo e violência.

No ano passado, MC G15 lançou a música “Deu onda”, considerada hit do verão, mesmo tendo no refrão a frase “meu pau te ama”, que caiu no gosto popular, transformando o funkeiro em personalidade instantânea. Duas das músicas mais executadas nos bailes funk e na internet tem frases de cunho sexual e que desprestigiam a mulher: MC LB lançou uma música que tem na letra a seguinte frase “chama sua amiga de nojenta, logo você que chupa onde ela senta” e MC Don Juan e Gudan que emplacaram nas paradas a música que diz “e aí boca de pelo, tu tá beijando a mina que mamou o bonde inteiro”.

Recentemente, a música “Surubinha de leve” de MC Diguinho, ganhou enorme espaço na mídia, na letra os versos “taca bebida, depois taca a pica e abandona na rua” gerou protestos nas redes sociais por fazer apologia ao estupro e após denúncias foi retirada da plataforma de músicas Spotify, que ainda enviou um comunicado oficial à imprensa.

Iniciando uma carreira profissional no mercado da música, o funkeiro Luquinhas fala sobre o assunto em entrevista:

O que você acha das letras do “Funk proibidão” que fazem apologia ao crime, sexo, violência?

“São letras com temas difundidos, de certa forma tratam da realidade de muitos no Brasil, porém, dar ênfase a criminalidade e atos ilegais não considero correto. Claro que não julgo quem canta esse gênero de Funk, afinal todos nós temos nosso público. Mas no meu ponto de vista não acho legal, por exemplo, uma pré-adolescente de 12 anos cantando e dançando um funk desse gênero.”

 

Por que você acha que esse tipo de música tem tanta popularidade?

‘Infelizmente reflete a realidade no Brasil hoje em dia e refere também ao que acontece muitas vezes nas festas em que os jovens frequentam e diante deste cenário acabam criando letras para expor essas situações que muitas das vezes são apelativas. Gosto de outro estilo de funk, sem apelações e abusos e que possam mostrar um lado positivo dos jovens que possam se identificar com a música.”

 

O que você acha do Projeto de lei de criminalização do funk?

‘Desnecessário! Estão usando o Funk como bode expiatório para um problema que é bem maior. Existem outros gêneros de Funk além dos que fazem apologia a violência, sexo e crime. O funk consciente por exemplo, é desconhecido pela maioria do público, porém, é um estilo que conta a realidade dentro das periferias e até mesmo na política do nosso país, portanto, o público prefere se render a letras apelativas e o consciente acaba passando batido, não só o consciente, mas o Pop, que é um estilo mais dançante no caso.”

 

Você já pensou em cantar esse tipo de funk?

“Já tive oportunidades de cantar esse estilo de funk, porém não me rendi e nem me identifiquei com o estilo. Você prefere chegar em um show para se apresentar e ter várias pessoas usando droga, bebendo e cometendo atos ilegais ou chegar em um show e ter vários fãs que estejam a fim de passar bons momentos e curtir um show bacana? Esta foi a pergunta que faço para quem me questiona por que não escolhi cantar esse tipo de Funk. Eu prefiro o público que trabalho atualmente, são fãs que não estão ali apenas para a bagunça, mas sim para curtir o meu som e aproveitar a noite.”

 

O que você busca passar com as letras de suas músicas?

“Procuro escrever letras animadas que contam a realidade dos jovens hoje em dia. Sempre de uma forma positiva e bem-humorada. Minha música de trabalho, “Tá Louca Garota” conta a história de uma menina que ficou comigo e se apaixonou, mas eu procurava apenas curtir a vida sem se apegar a ninguém, que é o que acontece muitas vezes com os jovens da nossa geração e eles se identificam com isso.’

 

O clipe de “Tá louca garota” foi gravado com dezenas de jovens em uma lanchonete estilo anos 50 em São Paulo. Confira:

https://www.youtube.com/watch?v=CHO3Qa1Dw5k

Foto: Reprodução/Internet